VOLUNTARIADO - experiências


O Ágora marcou encontro com o Rui Pedro depois da “aula de informática” que dá todas as segundas-feiras aos que quiserem aprender a mexer na “caixinha” que reúne o mundo num simples clique. Mas, um pequeno atraso do Ágora foi o suficiente para o voluntário ser chamado pelo Agostinho para intervir num dos computadores. “Na Casa Jubileu o computador não funciona, eu liguei e está a funcionar”, conta Rui Pedro depois de experimentar. Passo de magia ou sabedoria, a verdade é que são ossos do ofício!
Esta ligação aos computadores vem já desde criança, e os anos que se foram passando à frente da “caixinha” fizeram com que, agora jovem, tenha um currículo invejável nesta matéria. É também a esta máquina que o voluntariado agradece, pois foi ela que trouxe o Rui Pedro ao Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos (CCPC), no Verão do ano passado. “Eu sou da zona e já tinha ouvido falar no Centro. Um dia precisei que me fossem buscar uns móveis a casa e procurei o CCPC na Internet. Na página www.centrocomunitario.net encontrei o formulário do voluntariado e inscrevi-me”.
Porquê? Não o consegue explicar. Já antes o seu telemóvel servia de Serviço SOS Informática para todos os amigos e familiares, que sempre que tinham um problema chamavam o técnico voluntarioso. Este espírito associado à falta de emprego, fizeram com que se inscrevesse. Quando lhe perguntaram a área onde poderia intervir, não havia dúvida: “esta é a área em que tenho conhecimento e, assim, posso ajudar”.
Os primeiros passos no CCPC foram dados enquanto “cirurgião” de uns computadores que estavam em má forma. “Tinham sido oferecidos por entidades e por pessoas, mas estavam desligados porque ninguém tinha tempo para os montar. Pediram-me e eu vim pô-los a funcionar”. Graças ao “Sr. Doutor”, as crianças do ATL, o Agostinho e outros trabalhadores do Centro puderam ficar ligados às novas tecnologias. É disso que Rui Pedro gosta. “Motiva-me que as pessoas tenham o computador a funcionar e que isso lhes sirva para alguma coisa”.
Há cerca de três semanas surgiu mais um desafio, pelo qual não esperava: dar aulas de informática. Segundo o voluntário, é preciso pôr a palavra aulas entre aspas, uma vez que a sala de informática é, acima de tudo, um espaço de convívio. Numa turma constituída maioritariamente por idosos, Rui Pedro ajuda a descobrir as maravilhas do Word, da Internet e até dos jogos. “Primeiro pensei em dar-lhes alguns conhecimentos teóricos básicos, mas depois optei por pôr a carroça à frente dos bois”. Assim, os alunos aprendem, mexendo. E nada lhes escapa: viajam pela Madeira e outras regiões, vêem a praia de Carcavelos através de câmaras, espreitam as novidades do CCPC no site, escrevem cartas no Word, jogam aos tiros e bombinhas,...
Para os idosos, todo este mundo da informática é novo, mas mesmo para os mais novos a “caixinha” revela-se por vezes complicada. A miúdos e graúdos o voluntário está sempre pronto para ajudar, com um gostinho particular por ser este um trabalho voluntário. “É diferente fazer isto por trabalho ou sem ser por dinheiro. Nas empresas, onde já trabalhei, as pessoas chamavam-me para resolver problemas e queriam mais é que me despachasse. Aqui é tudo diferente”.
Quando se fala de futuro, os vinte e sete anos de Rui Pedro ainda lhe cobrem os olhos com a nuvem do desconhecido. Quando tiver trabalho, talvez continue com o voluntariado, mas na vida não há certezas e tudo corre no imediatismo de um simples clique...
(Cátia Silva)

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Rui Pedro
Carcavelos
27 anos
Informático

A informática sempre foi uma das suas grandes paixões. Talvez por isso a tenha escolhido para profissão, uma vez que não gosta de fazer nada a que seja obrigado. Para além do teclado, gosta de actividades ao ar livre, como praticar desporto e passear. Não tem filhos, nem pensa nisso para tão cedo. Para já o que quer é arranjar um emprego.