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O
Voluntariado é Um Vício
Ágora: Como
surgiu o voluntariado?
Patrícia Viegas: Foi uma circunstância ou talvez não.
Posso dizer que é uma forma de estar na vida, é utilizar
da melhor forma o nosso tempo livre. Mas também comparo o voluntariado
com o «egoísmo» porque nos sentimos muito bem a fazer
isto.
Entrei neste projecto numa altura em que estava entre o fim dos estudos
e o primeiro emprego. Tinha uma amiga que colaborava com o Centro Comunitário,
ela estava ligada ao apoio escolar e perguntou-me se eu gostaria de experimentar...
tudo começou assim.
Ágora: A experiência
foi avançando...?
Patrícia Viegas: Isto tornou-se um vício. Neste momento
já quase não tenho tempo para o fazer, estou afastada geograficamente
do Centro mas invento tempo para conseguir vir até cá ao
Sábado ter com «os meus meninos».
Agora: Quem são
os seus «meninos»?
Patrícia Viegas: São as crianças que estão
no Apoio Escolar e cujas famílias são ajudadas pelo Centro
Comunitário noutros pro-jectos. Mas aqui durante estas duas horas
que passo com eles tento dar-lhes apoio escolar mas faço de tudo
para que termine em ATL. Eles trazem trabalhos de casa e nós ajudamo-los
a fazê-los, tiramos dúvidas
.
Em termos gerais posso afirmar que isto é importante a médio
e longo prazo. Não se trata tanto de levantar uma negativa, mas
sim de cultivar hábitos de estudo e de criar métodos de
trabalho, aspectos que são igualmente importantes não só
para a escola mas para a vida. Isto motiva-os para o estudo de uma forma
informal.
Agora: E para lá
do Apoio Escolar...?
Patrícia Viegas: Fazemos por vezes actividades extra curriculares
como ir ao Oceanário ou uma Caça ao Tesouro, para manter
o espírito de grupo. Até porque muitos já se conhecem.
Quem acaba os tra-balhos mais cedo pode ir para o campo do Centro Comunitário
jogar à bola.
Para mim é muito gratificante vê-los voltar, não é
suposto verem o Apoio Escolar como uma obrigação, gosto
que voltem porque sentiram falta durante a semana.
Ágora: Das
várias áreas que existem no centro o Apoio Escolar é
que mais se adapta a si?
Patrícia Viegas: Esta área não é bem para
quem quer, mas sim para quem pode. Aqui sinto-me à vontade para
ajudar, apesar de haver disciplinas que domino mais do que outras.
Poderia fazer voluntariado em outras áreas como acompanhar toxicodependentes,
ou estar ligada à terceira idade, mas penso que aqui me sinto mais
confortável mas não coloco de parte a possibilidade de trabalhar
noutros projectos.
Ágora: No cômputo geral como vê estes três anos
de voluntariado no Centro?
Patrícia Viegas: É gratificante sentirmo-nos úteis,
apesar de isto não ter uma tradução directa. Dou
este tempo como muito bem empregue é muito emocional e tenho sempre
como retorno a amizade. (Leonor
Farinha)
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