VOLUNTARIADO - experiências
     

O Centro Comunitário abriu-lhe a porta por três vezes no programa de Verão para crianças – Porta Aberta -, quando ainda não pensava no futuro. Hoje, com quase 17 anos, o Mário voltou, agora para ajudar os mais idosos do Centro. Ficará a ajudar durante quinze dias, porque depois tem de tratar do seu futuro. É a sua iniciação no mundo do voluntariado, que o Ágora foi tentar conhecer.
Se perguntarmos à grande maioria dos jovens o que gosta de fazer no Verão, gritaram quase em uníssono que é a praia. Se lhes falarmos em trabalhar ou fazer voluntariado, muitos acharão engraçado, mas quase se pode apostar que apenas uma mão cheia deles daria o passo em frente. Foi o que fez Mário, seguindo as pisadas do irmão, ambos voluntários do Espaço Sénior.
Todos os dias pelas 11 horas o Mário chega com os seus enormes olhos azuis, e, sorrindo, senta-se na mesa de um grupo de pessoas bem mais velhas que ele. A conversa começa, sem grandes paragens. “O grupo com que estou não é muito introvertido. Gosta de falar”, conta. Perto das 12h30 ou fica a almoçar com os seus amigos, continuando a conversa, ou ajuda na distribuição de almoços ao domicílio, ajudando pessoas que já não se conseguem deslocar.
Quando o encontrámos estava há só três dias como voluntário, pelo que tinha ainda poucas histórias, porém, reconhece que foi bem aceite e que nota que as pessoas gostam dele. Para o voluntário, estes idosos do Centro têm uma maneira muito diferente de ser, conta, sorrindo e demonstrando que o humor está sempre pre-sente. Como exemplo, recorda que lhe dizem para largar os “velhotes” e ir para a praia. Mas, Mário veio por vontade própria, e quem corre por gosto não cansa.
Apesar de nunca antes ter feito voluntariado, conhecia a experiência do irmão no Espaço Sénior, e recorda de este lhe ter dito que era “muito enriquecedor”. Foi à procura dessa riqueza, e por conselho dos pais, que regressou ao Centro Comunitário, para a área da terceira idade. As suas expectativas baseiam-se no que o irmão lhe contou, e no facto de estar com “pessoas que têm uma experiência de vida muito maior que a minha. Assim, partilho experiências”. Se para muitos é difícil lidar com os mais velhos, para o voluntário tudo é bem simples e nada lhe faz qualquer confusão. A explicação? “Talvez seja porque os meus pais são médicos e eu passava as manhãs de todos os Verões na sala de espera do Centro de Saúde de Carcavelos, à espera da minha mãe. Primeiro vi coisas que me impressionavam, como as doenças de pele, mas depois habituei-me”.
Daqui a pouco tempo o voluntariado vai ter de ficar em stand-by, porque os estudos e a profissão estão em primeiro lugar. No entanto, o “bichinho do voluntariado” já lhe corre nas veias e Mário espera voltar a ele já como Doutor. “Eu tenho um sonho: ir para África cuidar dos mais necessitados, mas isso só com o curso tirado, já com formação”. Terminando o 12º ano, vai para o Reino Unido estudar medicina, enfermagem ou farmácia. Depois.... só o futuro o dirá!

(Cátia Silva)

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Mário Rui Belo
17 anos

Mesmo tendo trocado a praia pelo Centro Comunitário, gosta muito do mar e dos desportos aquáticos, nomeadamente o skimming. Como qualquer jovem, o seu passatempo preferido são os amigos, mas o gosto pela mudança, por fazer sempre melhor, levaram-no já a viajar sozinho para Nice, para aprender francês e conhecer gente. A terminar o 12º ano, mais voos o esperam para os tempos de Faculdade.