VOLUNTARIADO - experiências

Nos seus 18 anos de idade, Madalena nunca tinha pen-sado em ser voluntária, e este nome até parece dizer-lhe pouco. Ajuda, pura e simplesmente, consoante lhe vão pedindo. Especialmente este ano, explica, em que não entrou para a Faculdade de Medicina por apenas seis décimas, o que lhe exige ficar a estudar para duas cadeiras específicas apenas. Será que foi azar ou o dedinho do destino?
A primeira oportunidade surgiu no Natal do ano passado, quando uma amiga lhe falou que a AMI-Assistência Médica Internacional precisava de voluntários para fazer embrulhos. Sem hesitar, aceitou o desafio. “Tinha tempo livre e não dava trabalho nenhum. Não me custou mesmo nada”, diz, sem se preocupar com o facto de poder ter estado a fazer o mesmo em lojas onde pudesse ganhar algum dinheiro. “Mas aqui era para ajudar”.
Com o tempo livre que ainda tem, não pensou em trabalhar e uma vez mais o voluntariado surgiu na sua frente. “No início do ano, uma amiga minha, que trabalhou no Porta Aberta há dois anos, falou-me que no Centro Comunitário de Carcavelos havia trabalho com crianças e jovens e que eu podia oferecer-me como voluntária”, conta. Decidiu vir conhecer o espaço de que a amiga já lhe falara na altura do Porta Aberta. “Vim ver o que estavam à procura, e surgiu a Sala de Estudo”, diz, que lhe assentou que nem uma luva. “Sempre gostei de ensinar e os meus amigos sempre me disse-ram que tinha jeito”.
Foi assim que começou a vir ao Centro, duas tardes por semana, ajudar a Natasha no apoio escolar a oito adolescentes dos 5º e 6º anos. “Ajudamos en-quanto fazem os trabalhos de casa e se preparam para os testes”. No entanto, recorda, o estudo não é intensivo e há sempre uma pausasinhas para a brincadeira, só para desanuviar. Nestes momentos, os laços que tem vindo a criar com estes jovens tornam-se ainda mais fortes. “Agora já os conheço melhor e consigo ajudá-los”. Até porque, diz, não tem sentido grandes dificuldades. “Esta é uma boa forma de ocupar o meu tempo livre. Sinto que faço alguma coisa de útil e o trabalho que faz bem aos outros é sempre gratificante”.
Apesar de não notar diferenças em si, acredita: “de alguma forma esta experiência ajudar-me-á a crescer”. E reconhece que tem hoje mais paciência para as três irmãs mais novas. Apesar de tudo isto, Madalena não sabe ainda como vai ser o seu próximo ano. “Se tudo lhe correr bem, entro na Faculdade e infelizmente tenho de sair da Sala de Estudo”. No entanto, não coloca de lado a hipótese de outro tipo de voluntariado e nós sabemos que, como dizem os mais sábios, há tempo para tudo (pelo menos, para o que é realmente importante).

(Cátia Silva)

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Madalena Sales Luís

18 anos

Madalena Sales Luís tem 18 anos e quer seguir medicina. Neste momento estuda para repetir os exames nacionais das cadeiras principais para entrar para o curso. Uma tarefa que lhe deixa tempo livre para fazer o que mais gosta, como ir ao cinema, estar com os amigos, ler, ouvir música e passear na praia.