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O voluntariado
entrou na vida do João por mero acaso ou talvez não! Os
cinco anos que estudou no Instituto de Francês deram, ao João,
um certo à vontade com a língua francesa e este foi o ponto
forte para a Patrícia, uma amiga que é voluntária
no Centro Comunitário, aliciar o João a ser voluntário
no Apoio Escolar.
O João confessou
que queria aproveitar o pouco tempo que lhe sobrava e os seus conhecimentos
de matemática, para poder dar explicações e fazer
algum dinheiro mas abdicou dessa vontade pois este foi um convite ao qual
não conseguiu resistir.
Um pouco a medo e sem saber ao que vinha fez a sua inscrição
como voluntário e no Sábado seguinte apresentou-se no Centro
à hora marcada.
Esperavam por ele, e pelos outros voluntários, cerca de 20 crianças
de diferentes idades e em anos de escolaridade distintos.
Confessa que chegou com o intuito de "tirar algumas dúvidas
no francês" mas que cedo se apercebeu que o solicitavam para
outras dúvidas pois as dificuldades das crianças não
eram apenas no francês e os seus conhecimentos em matemática,
português e noutras disciplinas poderiam ser úteis.
"Não tinha muita experiência a ensinar e no início
senti que estava meio perdido e que tinha que me empenhar. Dei por mim
a ler os livros da escola dos miúdos para ter noção
das matérias que estavam a dar e como para não os confundir".
Hoje, dois anos depois, o voluntário está muito mais à
vontade com as matérias e confessa que os Sábados de manhã
das 10h às 13h já fazem parte de uma rotina na sua vida.
Para o João esta é uma experiência à sua medida
como nos referiu: "estou no "terreno" em contacto directo
com as crianças e sinto que posso de facto ter algum impacto nas
suas maneiras de ser e estar e que sem dúvida eles têm tido
impacto na minha! Além disso, julgo ter conhecimentos para representar
uma mais-valia nos seus estudos, à medida que a minha capacidade
de lhes transmitir informação também vai amadurecendo...
O grupo de crianças que apoia hoje no Centro já não
é o mesmo que acompanhou no início "algumas crianças
saíram e vieram outras" mas o corrupio mantém-se diz:
"às vezes nem sei para onde me virar! Ouço chamarem
João aqui e ali! Como se faz isto? Explica este!
"
Mas o mais gratificante diz: "é quando uma criança
ou jovem nos diz - "quero-te agradecer por ter passado a matemática".
Esta experiência mudou a forma como o João vê o voluntariado
e quando perguntámos o que era para ele ser voluntário o
João respondeu: "Existem muitas definições do
que é ser voluntário, eu vejo a coisa de uma forma pragmática,
baseada na minha experiência pessoal. Ser voluntário é
ser "egoísta": faço-o porque gosto, porque me
dá gozo, é como dar uma volta de bicicleta ou fazer outra
coisa de que gosto, faço com empenho e motivação,
tenho a certeza que se torna uma experiência muito gratificante
para todas as partes envolvidas... sem pensar muito no assunto, todos
os objectivos nobres do voluntariado vão sendo atingidos... à
minha maneira!
(Cátia
Silva)
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João
Madureira
25 anos Trabalha e estuda Engenharia Informática no Instituto Superior
Técnico entre outras coisas tem paixão pela música
é guitarrista em duas bandas os Ekta Moai e Maf-Nah. Os amigos,
a bicicleta e o skate são também peças importantes
na sua vida com as quais procura ocupar o pouco tempo livre que tem. |