VOLUNTARIADO - experiências
 

«Pediram-me que desse um testemunho sobre a minha particpação no Projecto Esperança de Recomeçar. Vou tentar resumir a experiência gratificante que foram estes meses e dizer que, ao escrever, fico já com saudades!
Num primeiro momento, quando a Dra. Conceição me propôs esta experiência e eu disse sim, fiquei de imediato com um nó na garganta. Toxicodependência! Meu Deus, em que é que fui me meter! Eu não percebo nada disso e, se pensar, sempre foi uma área que me perturbou muito!
Resolvi que ia tentar não fazer juízos prévios. Quanto ao resto, depois logo se via…
De início, senti-me aflita sem saber o que pensar e fazer perante situações tão terríveis como as que via diariamente. Mas depois, aos poucos, percebi que não me deparava com situações mas sim com pessoas; algumas interessantes, outras com piada, outras carinhosas, outras refilonas, mas PESSOAS, por detrás daquela imagem tão sofrida!
Vou com certeza lembrar-me sempre do João, a fazer palavras cruzadas e do que ele sabe sobre história das civilizações, do Afonso e o FCP, do Carlos e a legião estrangeira, do outro João que sabe muito sobre futebol, do Carlos e o creme hidratante, do Francisco, do Joaquim, da Ana, do Isaías, do Carlos e de todos os outros; das conversas que tivemos, dos momentos em que rimos e dos que, pelo contrário, nos entristeceram. Estou a torcer para que cada um encontre depressa o seu caminho e possa ser feliz! No entanto, esta mudança na minha percepção deveu-se principalmente a equipa FANTÁSTICA que trabalha neste projecto; pessoas com uma capacidade de doação tremenda, que com o coração (e mente) aberta, vão fazendo aos poucos um trabalho de HÉRCULES! Apesar de ainda saber muito pouco sobre esta área, pude observar o quão importante é estreitar os laços com estas pessoas, ter em atenção os pormenores, saber ser amigo sem perder o objectivo e principalmente não perder a ESPERANÇA! Foi um gosto participar neste grupo! Tal como já disse à Dra. Conceição, ficarei ao dispor e não deixarei passar muito tempo sem ir matar saudades.».

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Inês Belmar

39 anos
Terapeuta ocupacional
Oeiras