|
.As
crianças entravam no ano escolar e Maria Helena Baptista entrava
para o Centro Comunitário de Carcavelos, em Setembro deste ano.
Como qualquer aluna que está ainda no primeiro período de
aulas, Maria Helena Baptista está agora a conhecer os cantos à
casa. Porém, sabe já muito sobre as actividades do Centro
Comunitário da Paróquia de Carcavelos e começa já
a implementar novas ideias. Hoje já disse às senhoras
mais idosas que passam o dia no Centro que para a semana vamos todas jogar
ao rapa, diz a voluntária. É um jogo muito divertido.
Até já comprei rebuçados, vamos ver quem leva mais
para casa. Uma ideia bem açucarada, até porque, reforça,
o que é doce nunca amargou.
Quando se inscreveu como voluntária no CCPC, disse apenas o que
não gostaria de fazer e o destino levou-a para a terceira idade,
ficando a dar uma ajuda preciosa à Susana no Espaço Sénior.
Supostamente, é voluntária às segundas-feiras à
tarde, mas como ser voluntário é muito mais que cumprir
horários, Maria Helena acaba por ajudar sempre que é preciso
uma mãozinha. (E quantas não são precisas nesta altura
do Natal...) Neste momento, a voluntária está a embrulhar
umas surpresinhas para os mais idosos, mas no dia-a-dia no Centro acaba
por fazer de tudo um pouco.
Por coincidência (ou não), Maria Helena sempre ajudou os
mais idosos, pessoas que foram aparecendo na sua vida. Uma amiga
minha estava no Brasil e tinha a mãe aqui num lar. Então
eu ia buscá-la para almoçar ou lanchar. Às vezes
trazia uma amiga. Depois começaram a vir outras senhoras. E assim
fui buscando uma e outra. Mas todas foram falecendo, lamenta. Hoje
ainda ajuda uma energética senhora de 90 anos, a quem telefona
regularmente. Como ela já não tem família,
eu tomo conta dela.
Acções bem diferentes da vida administrativa que sempre
levou. Num departamento do Ministério da Agricultura, trabalhou
mais de três décadas e meia dentro de um gabinete rodeada
de papéis, sem ter qualquer contacto com o público. Eu
gostava muito do meu trabalho mas também gosto de relações
públicas, diz. Quem ouve uma funcionária pública
a dizer isto, talvez não acredite, mas Maria Helena esconde por
detrás da sua característica mais institucional,
uma verdadeira alma de voluntária.
Para quem dúvida, conta (numa conversa que mantivemos já
depois do gravador desligado), que após o falecimento do seu marido
o médico a aconselhou o voluntariado, talvez, referiu na altura,
a Maternidade Alfredo da Costa. Ainda sem saber se iria para lá,
Maria Helena começou de imediato a tricotar botinhas e camisolinhas.
Roupas que acabou por dar ao Centro Comunitário de Carcavelos,
ou antes, a uma das muitas mães necessitadas em Portugal. Com a
mesma serenidade com que contou esta história, sem associar a sua
acção directamente com o vo-luntariado, contou como ajudava
os companheiros de quarto do marido quando este esteve no Instituto Português
de Oncologia.
As pessoas que têm tempo devem fazer qualquer coisa pelos
outros, aconselha. Primeiro, acrescenta, porque não
podemos ficar fechadas em casa e, segundo, porque ajuda muito
na parte psicológica. É por tudo isto (e talvez por
muito mais) que se sente bem desde que está no Centro Comunitário
de Carcavelos. Lido com várias pessoas e vejo caras diferentes,
escuso de estar tão sozinha.
Quando questionada quanto ao futuro, mostra que pensa pouco nisso. Vou
fazendo o que for aparecendo, diz, numa atitude que uma vez mais
prova que é, na verdade, uma voluntária a tempo inteiro.
Como a própria salienta: não vale a pena ser voluntário
só por ser, é preciso ter espírito de voluntário.
E quem o tem, tem...
(Cátia Silva) Home
|
|
Helena
Baptista
55 anos
Carcavelos
Reformada
Maria Helena Baptista chegou agora àquela que é realmente
a meia idade. Aos 55 anos, e três anos de reforma, mantém
uma actividade permanente. A Academia Sénior, a hidroginástica,
as aulas de inglês e de artes plásticas, ocupam-lhe grande
parte do tempo, mas a par com estas actividades que exerce para proveito
próprio, decidiu que devia também ajudar os outros. Foi
assim que chegou ao Centro Comunitário.
|