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"«Ser voluntária
era algo que já me tinha passado pela cabeça quando os meus
filhos eram pequenos», relembra, «não sabia é
que seria tão depressa e pelas circunstâncias que foram»,
comenta...
É com mágoa, e com alguma culpa guardada no peito, que D.Graça
recorda a morte de um dos seus filhos. Era ainda jovem quando foi apanhado
pelas teias da droga e nunca mais conseguiu sair.
A família só descobriu passado algum tempo, mas já
não conseguiram fazer nada. D. Graça ainda lamenta, «se
calhar fiz aquilo que não devia ter feito e não fiz o que
deveria ter feito».
Passado um tempo, o outro filho casou e D. Graça ficou com o marido,
que ainda trabalha. Sozinha em casa, foi aconselhada, pela própria
médica, a tornar-se voluntária no Centro Comunitário
de Carcavelos. Com olho clínico, disse à D. Graça
que «seria a melhor coisa para a ajudar». Hoje, é a
própria a afirmar que «foi mesmo».
Começou por ajudar a fazer bonecos e arraiolos, uma tarefa que
a entretinha pouco, quando mais precisava de estar ocupada (para não
pensar na vida). Foi então para a cozinha, ajudar na preparação
e distribuição de almoços.
Num dia quente de Verão, estava a D. Graça na sua rotina
na cozinha do Centro, ao mesmo tempo que a Isilda tentava atender, com
apenas duas mãos, as dezenas de crianças que participavam
no Porta Aberta.
Resolveu pedir a ajuda da D. Graça, que nesse dia veio até
ao bar e nunca mais o quis deixar. «É que aqui há
mais movimento», confirma Isilda.
D. Graça sorri cada vez que se recorda dos meses do Porta Aberta.
«É muito engraçado». No entanto, ressalva que
são igualmente bons os restantes meses do ano.
Confessa: «vim para me ajudar a mim mesma e acabei por ficar».
Continua também, às vezes, a ajudar na distribuição
de almoços, tanto no Centro como nas entregas ao domicílio.
Ajuda de segunda a quinta-feira de manhã, uma vez que na sexta
o marido não trabalha. Mas confessa que nos dias em que não
vem ao Centro fica «patareca».
Desde que aqui entrou sente-se «como se fizesse parte do pessoal».
Mais uma peça importante no enorme puzzle que compõe o Centro
e que o torna numa casa bem acolhedora.
Estava o Ágora à conversa com a D. Graça, quando
a chamaram para ajudar na entrega dos almoços ao domicílio.
Ainda teve tempo para aconselhar todos aqueles que tenham um tempo extra
para ajudarem os outros e depois, saiu a correr...".
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Graça
Figueiredo
Carcavelos
58 anos
Doméstica
Maria da Graça Figueiredo tem 58 anos. É casada e teve
dois filhos. Afirma que a vida lhe tem reservado muitas alegrias e recorda
as inúmeras viagens que fez com o marido e com os seus rebentos.
Desgostos, teve apenas um. «Mas foi bem forte», diz. Hoje,
divide os seus dias entre o Centro Comunitário, a companhia do
marido e as traquinices do seu netinho de 6 anos, que carinhosamente
chama de «meu menino». |