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Francelina Félix
é voluntária há cerca de 3 anos. Começou a
sua experiência de voluntariado na Casa da Encosta, uma instituição
que acolhe crianças enviadas pelo Tribunal. Na altura, só
havia crianças em idade escolar e por isso, durante o dia, sentia-se
um pouco inútil, já que as crianças só vinham
para a Casa no final do dia.
Foi então que veio para o Centro Comunitário de Carcavelos.
Já conhecia as actividades desenvolvidas no Centro e foi aconselhada
pela sua médica. «Tive uns problemas de saúde e passava
muito tempo em casa, ela aconselhou-me a fazer qualquer coisa que me distraísse.
E como o melhor para distrair é trabalhar, procurei o centro»,
conta.
É voluntária no Banco de Roupa, onde se ocupa da recepção
e distribuição das diversas peças de vestuário.
A forma de funcionamento deste serviço é muito simples.
Francelina esclarece que quem quiser pode entregar roupas na garagem do
nº 382 da Avenida dos Maristas. Estas são posteriormente doadas
aos mais carenciados, que apenas necessitam de obter um cartão
de membro na secretaria do Centro Comunitário.
No entanto, a sua função é mais abrangente que receber
a roupa, separá-la por idades e depois distríbui-la aos
mais necessitados. «Há pessoas que vêm muito tristes
e desanimadas, com problemas graves e, nesses casos, nós damos
um bocadinho de coragem e de ânimo», afirma Francelina. Explica
que,«às vezes, também nós estamos tristes,
mas fazemos como os palhaços, pomos as nossas tristezas para trás
das costas, porque as dessas pessoas são ainda piores».
Francelina recorda um caso que a marcou especialmente, o de uma mãe
toxicodependente a quem foram retirados os filhos. «Por um lado,
compreendi que as crianças não estavam bem com a mãe
nem com o pai, que era igualmente dependente de drogas mas, por outro
lado, fez-me muita impressão porque estas pessoas também
têm sentimentos. A dor daquela mãe marcou-me muito»,
desabafa.
O Banco de Roupa trouxe a Francelina Félix o contacto com uma realidade
diferente, e hoje, sabe que a maioria das pessoas não imagina as
situações tristes em que muita gente vive. Sabe que não
pode fazer muito mais do que tentar animar estas pessoas, mas acredita
que «sempre é um apoio». Por esse motivo, há
quem volte ao banco para conversar e não para ir buscar roupa,
porque sabem que está sempre ali alguém disposto a ouvir
e a dizer algumas palavras amigas.
O serviço de voluntariado fez com que, actualmente, Francelina
se sinta «uma outra pessoa». Antes, passava muito tempo em
casa e, mesmo quando saía, confessa que «não preenchia
aquele vazio que sentia porque voltava para casa vazia à mesma»,
explica. Desde que é voluntária, chega ao final do dia com
uma grande sensação de satisfação, porque
sente que contribuiu para mudar alguma coisa.
Por isso, sabe que «já não era capaz de deixar o voluntariado».
O marido quer ir viver para o Alentejo, mas Francelina tem pena de deixar
aquilo que faz. No entanto, quando tiver de se mudar, está decidida
a fazer alguma coisa pela sua aldeia. O voluntariado abriu-me os
olhos para coisas que se podem fazer de positivo e Francelina tem
a noção que na sua aldeia ainda há muita coisa para
fazer. Por isso, promete arregaçar as mangas e colocar mãos
à obra. Home
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Francelina
Félix
49 anos. É casada, tem uma filha com 18 anos e é doméstica.
Nos tempos livres gosta de ler, fazer arraiolos e, ao contrário de
muita gente, gosta de trabalhar. Reúne ainda uma característica
muito especial que a levou a ser voluntária, o gosto por ajudar os
outros. |