VOLUNTARIADO - experiências


As circunstâncias da vida trouxeram Erica Basto até ao voluntariado, mas foram também a causa da sua saída, quando o destino a enviou para Inglaterra, ao fim de mais de ano e meio como voluntária. Tudo começou no final de 2006, quando Erica Basto terminou a Faculdade e os empregos temporários e precários que conseguia lhe permitiram ter tempo livre. “Sempre pensei que gostaria de ser voluntária, mas nunca cheguei a procurar activamente fazê-lo. O voluntariado acabou por surgir por acaso, em conversa com amigos”, recorda. Durante o curso, deu explicações a jovens – especialmente nas áreas da Matemática, Físico-Química e Inglês – e, sem saber, estava a dar os primeiros passos num caminho que prosseguiu enquanto voluntária.
A primeira oportunidade de fazer voluntariado surgiu numa conversa com amigos que pertenciam à associação juvenil ProAtlântico, quando estes lhe disseram que precisavam de pessoas para dar aulas de português a estrangeiros. Como já dava explicações, resolveu experimentar. Na mesma altura, umas amigas falaram-lhe do Espaço ABC do Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos (CCPC), onde eram precisos voluntários para ajudarem as crianças nos seus estudos e nos trabalhos de casa. Já conhecia a instituição, pois na adolescência participou em actividades de Verão no Centro, e como se tratava de trabalhar com crianças, não hesitou em inscrever-se.

Carências sociais
No início do ano lectivo, Erica Basto tinha 20 crianças na sala do apoio escolar, o que demonstra desde logo a forte adesão a este serviço do CCPC. Como já dava explicações, ensinar era relativamente fácil, mas é preciso não esquecer que as crianças do Centro Comunitário são especiais: a maioria vive situações familiares complexas e fortes carências económicas. A voluntária percebeu rapidamente esta realidade. “Geralmente o que lhes falta não é capacidade de aprendizagem, mas algum apoio”, explica, contando que com as explicações os resultados melhoravam visivelmente. E a fórmula mágica é bem simples: “quando eles compreendem as matérias, tudo se torna mais fácil e ficam com mais vontade de aprender”.
Para além dos resultados positivos, que muito devem encher de orgulho a voluntária, Erica Basto recorda, acima de tudo, o carinho que recebeu dos seus “alunos”. “O facto de serem crianças carenciadas faz com que fiquem muito mais agradecidas por as ajudarmos”, recorda. A provar este facto estão os desenhos que recebeu ao longo do ano. “Várias crianças terminavam os trabalhos antes do fim do apoio escolar e ficavam a fazer desenhos. Era sempre muito agradável quando desenhavam os voluntários ou quando nos dedicavam desenhos, com muitos beijinhos e muita ternura à mistura”.
Toda esta experiência fez com que Erica Basto percebesse e aceitasse que o voluntariado pode não conseguir mudar o mundo, mas “ao menos conseguia arrancar vários sorrisos daquelas crianças e isso enche-me o coração e alimenta-me a esperança de um futuro melhor para todos”. A voluntária deixou o Espaço ABC no passado mês de Maio, porque Inglaterra lhe apresentou melhores condições de vida. No entanto, deixou o repto: “o apoio escolar esteve, no último ano, muito desfalcado de voluntários, o que é insuficiente para o número de crianças que precisam deste serviço”. Por tudo isto, inscreva-se!

(Cátia Silva)



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Erica Bastos
28 anos

Erica Basto tem 28 anos e é formada em Segurança e Qualidade Alimentar. Viveu durante muitos anos em Carcavelos, mas em Maio trocou os empregos precários que encontrava em Portugal por uma vida melhor em Inglaterra. Nos tempos livres, gosta de ler, de viajar e de praticar desporto, preferencialmente de dar caminhadas a pé na companhia das suas cadelas.