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Aos
34 anos de idade, o relógio da vida de Elisabete Silva indicou
que estava na hora de ser voluntária. "Eu sempre tive vontade,
mas não tinha a minha vida totalmente estabilizada", recorda.
O momento H surgiu no ano passado, no mês de Julho, quando determinou:
"vou fazer aquilo que já há alguns anos tinha adiado".
Decidida, entrou no site da Câmara Municipal de Cascais e encontrou
a página na Internet do Centro Comunitário da Paróquia
de Carcavelos (CCPC), onde preencheu a ficha para ser voluntária.
Pouco tempo depois, entrava pelos portões do Centro, com "algum
tempo disponível, e, acima de tudo, vontade de ajudar quem precisasse".
Estando reunidas estas condições essenciais, optou desde
logo por uma das valências mais sensíveis do Centro Comunitário:
o Projecto Intervir, ou seja, o apoio à toxicodependência.
"Eu queria uma área que estivesse ligada ao relacionamento
humano, pois sou secretária de profissão e estou cansada
de papéis", diz, recordando o momento da decisão.
Do primeiro dia de voluntariado lembra-se como se fosse hoje, pois a toxicodependência
era uma área que desconhecia por completo. "Fiquei um pouco
reticente, não sabia como lidar com eles, nem como eles lidam connosco",
explica. Porém, a apresentação decorreu como em qualquer
outro relacionamento humano e hoje a voluntária reconhece: "quando
estava do outro lado via-os com outros olhos. Pediam-me dinheiro na rua,
para arrumar o carro e outras situações normais, mas assustava-me
um bocado. Agora, já não tenho qualquer medo". Uma
das muitas mudanças que a experiência de voluntariado tem
provocado em Elisabete.
Dedica aos utentes do Centro três horas por semana, e um sábado
por mês, nos quais conversa sobre assuntos do dia-a-dia e as vidas
de cada um. Um intercâmbio que lhe tem mostrado que os problemas
de muita gente não são nada comparados com os de muitos
toxicodependentes. "Aprendi a relativizar tudo. Há pessoas
que, como costumo dizer, ligam o complicómetro, pois têm
o dom de complicar o que é simples", diz, com o conhecimento
de alguém que sempre lidou de perto com a burocracia do mundo dos
papéis.
Porém, confessa, "ao início foi muito complicado gerir
os sentimentos", pois as histórias de muitos deles é
passada na rua e em casas abandonadas. É por isso que defende projectos
como o Intervir, que dão acesso a um banho, a roupa quente e a
dois dedos de conversa. "Eu acho que os ajuda", defende, até
porque no ano que passou viu alguns irem para tratamento, outros curarem-se
e outros ainda voltarem a viver com os pais.
Sucessos que a voluntária afirma que, juntamente com as simples
horas que passa à conversa com estes utentes do Centro, a têm
enriquecido. "Tem-me ajudado a crescer", diz, sem conseguir
traduzir por palavras esta transformação pessoal. "Não
recebo monetariamente, mas recebo de outra forma, que é muito mais
importante". É por isso que quer continuar no Projecto Intervir,
enquanto a vida o permitir.
(Cátia Silva)
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Elisabete
Silva
35 anos
Secretária de profissão, conseguiu no ano passado
encontrar algum tempo para se tornar voluntária do CCPC. Casada
e com uma filha de 7 anos, para além de dedicar tempo à
família gosta de passear, de viajar, de cinema, de ler, de ver
alguma televisão - quando os programas interessam - e de estar
com os amigos. Diariamente combina uma série de actividades,
numa agenda sempre ocupada mas sem demasiado stress.
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