VOLUNTARIADO - experiências


De pequenino se torce o pepino, diz o ditado popular. Uma máxima que podendo não ser inteiramente verdade, pelo menos funcionou no caso de Andreia Almeida. Tinha apenas quatro anos quando atravessou pela primeira vez os portões do Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos (CCPC), guiada pela sua avó. Depois de uma ausência de vários anos, já em plena adolescência, entrou pelo seu próprio pé.
Começa então a contar que os seus avós conheciam o Padre Aleixo e que foi este que lhes indicou o Centro. A avó de Andreia inscreveu-se nas aulas de arraiolos e trazia sempre consigo a netinha, que muito provavelmente servia de mascote. Depois disso, a jovem nunca mais regressou ao CCPC, até que uma coincidência (se é que elas existem) a levou a reencontrar uma amiga de infância que lhe disse pertencer ao grupo de dança do CCPC, as Reticências. Apaixonada por bailados desde nova, não pensou sequer duas vezes, e numa simples aula de aquecimento a que assistiu decidiu que queria ficar.
As aulas, que ainda frequenta, decorrem no final do dia mas mesmo assim Andreia pôde facilmente perceber o dinamismo do Centro Comunitário de Carcavelos. Até que um dia, revela, "tive vontade de entrar". Um desejo que, no CCPC, é uma ordem. Pouco tempo depois estava a ajudar na Ceia de Natal organizada anualmente pela instituição e ao atingir a maioridade inscrevia-se "oficialmente" como voluntária.
"Não sabia bem a área que queria", recorda. A opção que lhe pareceu mais satisfatória foram os Grupos de Acção Social, que procuram ajudar famílias desestruturadas a encontrar soluções e um caminho de vida. E assim começou o seu voluntariado, em Novembro de 2002. Foi-lhe atribuída uma parceira e, para apoiar, um casal com um bebé a viverem numa barraca no Bairro das Marianas. Estavam dadas as coordenadas para uma experiência que jamais irá esquecer.
"Vamos essencialmente fazer-lhes companhia", esclarece a voluntária, "conversamos, damos apoio e informamos sobre os locais onde pode adquirir ajuda para os seus muitos problemas", diz, sem querer entrar em pormenores. Uma relação que poderia ser estritamente profissional mas que, na verdade, se tornou amizade. "Somos as amigas do casal", sorri, utilizando como prova o facto de muitas vezes ficar a trocar ideias até muito para além da (prevista) uma hora de visita (três vezes ao mês).
Uma experiência onde mais do que dar, a voluntária sente que tem recebido. "Tenho aprendido imensas coisas com a senhora", afirma, referindo a enorme força e vitalidade que mantém apesar das inúmeras partidas que o destino lhe tem pregado. "É uma pessoa muito enérgica e que está sempre para cima", continua, "faz-me bem conversar com ela". "E depois ainda há o bebé, que tinha um mês quando chegámos e que temos visto crescer". Uma oportunidade única para uma filha única que nunca teve grandes contactos com crianças.
Como se isto não bastasse, Andreia Almeida sente também que o voluntariado a tem ajudado no curso que seguiu: a Psicologia. A frequentar o terceiro ano, explica que o seu curso é bastante teórico e que nos Grupos de Acção Social tem a possibilidade de falar com pessoas, na sua própria habitação. Assim, e embora não esteja ainda a exercer psicologia, sente "que este é já um bom passo", uma vez que pelo menos lhe dá a hipótese de acompanhar histórias de vida bem reais. E, diz, "aprendi a estar mais disponível para ouvir, que é uma coisa que as pessoas normalmente não fazem".
Uma audição mais apurada que lhe tem permitido conhecer um mundo bem diferente. "Entrar no Bairro das Marianas foi um confronto com uma realidade que eu não conhecia", confessa. Um acordar que faz com que a voluntária dê hoje menos importância a problemas que antes considerava abismais e atribua mais valor a tudo o que tem. "Este voluntariado mudou a minha maneira de ver as coisas. Hoje estou mais a par da realidade (ou de algumas realidades)".
Resumindo, "o voluntariado tem contribuído para me formar como pessoa", diz. Uma aprendizagem à qual não pretende renunciar. A longo prazo deseja ligar-se mais à área da terceira idade, pois considera que "normalmente não se dá muita importância às pessoas idosas". Para já, a voluntária mantém os pés bem assentes na terra e pensa no presente. "Como estou no terceiro ano da Faculdade é mais difícil mas espero que dê para continuar". Uma vida dividida entre a profissão e o voluntariado que quer manter por muitos e longos anos...



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  Andreia Almeida

Andreia Almeida tem 20 anos e sente-se um bocado como o cantor Marco Paulo. Não, não se dedica às cantorias mas está dividida entre dois amores. Um não é loiro e o outro não é moreno mas ambos são muito diferentes. "A dança e a psicologia são as minhas paixões", diz. Os primeiros pliers deu com apenas quatro anos e há três começou os estudos de Psicologia no ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada). No futuro, espera conseguir unir as duas áreas, talvez utilizando a dança como terapia psíquica. E já agora que se está a planear (e nessa fase tudo se pode e deve desejar), a estudante gostaria de trabalhar com adolescentes com problemas comportamentais.