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Já alguém dizia que quem corre por gosto não cansa.
Um ditado que se aplica na perfeição a Maria Amélia
Gomes. Hoje com 66 anos, começou o voluntariado há cerca
de 20 anos e não mostra quaisquer sinais de cansaço. Como
é que consegue? A resposta é simples, "não sei
parar", diz.
Nos tempos livres o que mais gosta de fazer é de estar disponível
para os outros, mesmo com as consequências negativas que isso, por
vezes, lhe traz. Talvez por ter este espírito, o voluntariado a
tenha ido procurar. Não pense o leitor que me enganei, pois foi
mesmo verdade: "O voluntariado foi surgindo, eu não sou muito
uma pessoa de me meter nisto ou naquilo", explica Maria Amélia.
Transmontana de gema, foi quando veio para Lisboa que descobriu a ajuda
ao outro. "Quando vim comprar casa, vi um anúncio na folha
informativa a pedirem pessoas para visitarem os doentes num Hospital",
conta. E foi assim, através de uma folha de jornal, como esta que
o leitor tem na mão, que Amélia conheceu o Padre Aleixo
e começou a visitar o Hospital José de Almeida. Ainda hoje
lá vai, duas vezes por mês, distribuir bolachas e café
aos doentes e, aos Sábados à tarde, ajuda a levá-los
à missa na Igreja do Hospital.
Na altura em que começou com o voluntariado trabalhava, mas tentava
sempre ter tempo livre para estas acções. Agora reformada,
Maria Amélia não pára...
A voluntária colabora com a Paróquia de Carcavelos há
já 14 anos. Prepara tudo o que é necessário para
a missa e ajuda a dar a comunhão. Há pouco tempo, começou
também a tratar da roupa da Paróquia, como toalhas, lenços,
etc. "Não é que qualquer pessoa não o conseguisse
fazer", afirma, "mas é preciso um cuidado muito especial".
Amélia dá também apoio em dois lares. Leva, dois
Domingos por mês, a comunhão aos idosos de um dos lares.
Além disso, ajuda sempre nas celebrações que estas
instituições fazem em épocas festivas.
No Verão deste ano, chegou finalmente ao Centro Comunitário
de Carcavelos. "Alguém me disse que o CCPC não podia
dar muita assistência às pessoas que estão em casa
e que não conseguem comer sozinhas, por falta de voluntários",
conta Maria Amélia. Mais um chamamento, mais uma acção
voluntária. Desde então, vai todos os dias na carrinha do
Centro, dar almoços e distribuir algum amor.
"Só tenho pena de estarmos muito limitadas em termos de tempo",
diz, "se eu conduzisse, poderia dar de comer com calma. O problema
é que com o chegar à casa das pessoas, tratar da comida
e sentá-las na cama, ficamos quase sem tempo para lhes dar de comer".
Um obstáculo que só seria resolvido com o aumento do número
de voluntários.
Quando lhe pedimos para contar histórias que se tenham passado
consigo, teve alguma dificuldade em relembrar alguma que tenha sido feliz.
"Vemos muitas histórias tristes", revela a voluntária.
No entanto, recorda com carinho o que um dia lhe contaram: "Uma das
pessoas que faz a distribuição de almoços comigo,
perguntou a uma senhora o que achava de mim e ela respondeu: "É
um anjo, porque se não fosse ela, eu ficava sem comer. Além
disso, tem muita paciência para me tratar"."
E Amélia sorri, quando termina de contar a história. "Não
é que eu faça as coisas para me agradecerem, mas também
sou humana e, como tal, gosto que haja uma retribuição do
meu trabalho".
E assim se contam já vinte anos de voluntariado, dedicados à
área da terceira idade. Não foi uma opção,
"calhou assim", confessa. No entanto, diz ser este o trabalho
que mais gosta: "acho que as pessoas de idade precisam de mais apoio".
Uma ajuda que Maria Amélia promete continuar a prestar. Até
por que, "quando estamos disponíveis para os outros não
pensamos tanto em nós nem nas nossas doenças. O mal de muita
gente é não ter qualquer ocupação, não
se dar mais aos outros". Com uma vida agitada, Maria Amélia
Gomes é um exemplo para seguir.
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Maria
Amélia Gomes
Carcavelos
66 anos
Reformada Solteira,
vive actualmente com a irmã. O seu hobbie é o serviço
de voluntariado, dedicando a maior parte dos seus dias aos outros. No
entanto, diz, "ainda tenho algum tempo para mim. Até me
dá para ir duas vezes por semana à ginástica". |